O grupo de pesquisa Documentação, Modelagem e Conservação do Patrimônio está com vagas de iniciação científica abertas no projeto de pesquisa Clássico, tradicional, eclético: arquitetura brasileira no longo século XIX, coordenado por Pedro Paulo Palazzo.

O período de execução será de agosto de 2020 a julho de 2021, e as candidaturas devem ser enviadas até o início de abril. A efetiva execução dos planos de trabalho, bem como a eventual concessão de bolsas, estão condicionadas ao processo seletivo a ser realizado pelo Decanato de Pós-graduação da Universidade de Brasília.

Requisitos

Candidatura

A candidatura consiste unicamente numa carta de motivação descrevendo suas qualificações e seu interesse por um dos planos de trabalho propostos abaixo. Enviar a carta no corpo do formulário (não anexar documento) disponível no repositório do projeto de pesquisa (é necessário cadastrar-se na plataforma GitHub).

Resumos dos planos de trabalho

Módulos e dimensões do parcelamento urbano no Brasil do século XIX

Este plano de trabalho propõe uma análise morfológica dos parcelamentos urbanos empreendidos em algumas cidades brasileiras ao longo do século XIX.

Entre o final do ciclo de fundações de vilas promovido pelo marquês de Pombal (1777) e o início do ciclo de projetos urbanos da primeira República (1895), a urbanização luso-brasileira se transforma paulatinamente. O ímpeto urbanizador do Estado central arrefece neste período, à exceção de iniciativas pontuais como Niterói (1819) e Petrópolis (1843), deixando o protagonismo para as capitais regionais — desde a expansão da Vila Boa de Goiás (1782) até as fundações de Aracaju (1855) e Teresina (1861) — e para as urbanizações de freguesias e colônias de imigrantes, sobretudo ao longo do segundo reinado. Aos princípios de ocupação do território herdados da Idade Média — a aldeia–rua e o os lotes modulares —, agrega-se a retícula que caracteriza o parcelamento planejado por glebas, ainda que frequentemente deformada com respeito ao inflexível paradigma pombalino.

Este Plano de Trabalho explora o dimensionamento e a modularidade dos parcelamentos urbanos no Brasil estabelecidos no período de 1777 a 1895, com base em plantas cadastrais de época e em reconstituições a partir de levantamentos cadastrais recentes. Procura-se averiguar em que medida os novos tecidos urbanos constituídos neste recorte cronológico adotam os módulos dimensionais portugueses, vigentes desde a Idade Média e apenas parcialmente alterados no período pombalino: lotes de 25 por 50 palmos e ruas com 60 a 100 palmos de caixa.

O objetivo geral deste trabalho é mapear e tabular os módulos dimensionais de lotes e vias adotados nas novas capitais provinciais fundadas ex novo ou por meio da reforma de tecidos urbanos preexistentes — Aracaju, Maceió, Manaus, Teresina e Belo Horizonte — bem como parcelamentos urbanos planejados no crescimento de algumas das principais capitais já estabelecidas — Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Paulo, Belém, Porto Alegre, Curitiba e Goiás. São objetivos específicos necessários à sua consecução:

  • Inventariar, classificar, reproduzir, georreferenciar e redesenhar fontes cartográficas primárias das cidades objeto deste Plano no período estudado;
  • Analisar as dimensões dos elementos urbanísticos — lotes e vias —, propondo para cada setor urbano estudado uma normalização ideal das dimensões projetadas;
  • Tabular as dimensões normalizadas assim obtidas e confrontá-las com os módulos predominantes na urbanização tradicional luso-brasileira;
  • Confrontar os levantamentos históricos ou reconstituídos das cidades com a situação atual do parcelamento urbano, observando a resiliência dos padrões urbanísticos.

Distribuições da morada eclética em Goiás

Este plano de trabalho consiste numa classificação morfológica das plantas de casas goianas entre o final do século XIX e o início do século XX, baseada em inventários e outros documentos existentes.

A morada eclética, enquanto tipo edilício de finais do século XIX e primórdios do XX, se caracteriza por uma transformação do partido distributivo mais do que por sua decoração historicista. Tal transformação consiste numa progressiva especialização de aposentos e na maior compacidade do sistema de circulação (corredores e vestíbulos), bem como no afastamento do corpo principal da casa com respeito às divisas laterais e, eventualmente, dianteira do lote. A introdução desse tipo nas grandes cidades do litoral — Salvador, Recife e Olinda, Rio de Janeiro — e em São Paulo ocorre na segunda metade do século XIX, chegando em Goiás entre o final daquele século e o início do XX. A adoção do partido eclético se acopla ao emprego de uma variedade de sistemas construtivos tradicionais e modernos que persistem e se sobrepõem segundo as condições econômicas e tecnológicas de cada região. Tal processo vem sendo pesquisado no âmbito, sobretudo, da arquitetura residencial no estado de São Paulo e nas cidades do Rio de Janeiro e Recife. Se há um inventário morfológico satisfatório da arquitetura eclética na cidade de Goiás, tal conhecimento não tem redundado em interpretações historiográficas aprofundadas, nem tem se estendido para o restante do estado, em que pese a profusão de casas ecléticas em localidades como Pirenópolis, Jaraguá, Ipameri e Formosa.

Considerando este contexto, o presente Plano de Trabalho se propõe a coligir a documentação existente sobre uma variedade de moradas goianas de finais do século XIX e início do XX, no que diz respeito tanto à sua morfologia — implantação no lote, partido distributivo e composição dos espaços — quanto aos sistemas construtivos adotados. Esta documentação será analisada à luz da hipótese de que a transição para o partido distributivo eclético, no estado de Goiás, ocorre por meio de adaptações interiores dentro da volumetria e da implantação herdadas da morada tradicional luso-brasileira. Por outro lado, a “modernização” dos sistemas construtivos — a associação do adobe e do frontal a fachadas em tijolo cozido e sua subsequente substituição por estruturas em concreto armado — bem como a implantação da casa afastada das divisas do lote são transformações autônomas e não necessariamente concomitantes com a adoção do partido eclético.

No intuito de avaliar a validade da hipótese assim formulada, o objetivo geral deste Plano de Trabalho é constituir um banco de dados de casas ecléticas no estado de Goiás, classificadas segundo a distribuição dos ambientes em planta, de modo a evidenciar os variados graus e modos de adoção deste partido. Este objetivo geral subdivide-se nos seguintes objetivos específicos:

  • Localizar documentação referente a casas de finais do século XIX e início do XX na bibliografia publicada, em arquivos e inventários nas esferas municipais, estadual e federal;
  • Estipular critérios de classificação tipológica das casas baseados na variedade de soluções de distribuição em planta;
  • Relacionar a classificação tipológica com os sistemas construtivos adotados e com os padrões de implantação no lote, apontado as aderências e os descompassos.

Arqueologia das antigas casas rurais no Distrito Federal e entorno

Este plano de trabalho consiste na elaboração de um inventário documental de algumas casas rurais do século XIX no Distrito Federal e entorno, por meio de levantamento de campo e pesquisa em arquivos.

Longe de ser o “vazio” pretendido por Juscelino Kubitschek e Lucio Costa, o território em torno do sítio onde se construiu Brasília é ordenado por uma estrada Real com sua contagem e ocupado por sesmarias e fazendas desde a primeira metade do século XVIII. A ocupação rural se consolida e se adensa ao longo do século XIX, resultando no mosaico fundiário que até hoje determina o crescimento urbano informal no Distrito Federal e entorno. Diversas sedes de fazenda remanescentes da segunda metade do século XIX, senão antes, oferecem um testemunho desse processo, com destaque para as casas da fazenda Gama, próxima ao Catetinho, da fazenda Velha, na região do Itapuã–Rajadinha, e da fazenda Vera Cruz, em Planaltina, além de ruínas identificadas por Vieira Jr. no parque nacional de Brasília. É notável, ainda, a presença do quilombo do Mesquita, no município limítrofe da Cidade Ocidental, dotado de um pequeno e ameaçado acervo edilício vernáculo.

Este conjunto de sítios, de valor inestimável para a reconstituição da história do planalto Central, tem sido objeto de diversos estudos recentes no tocante à sua patrimonialização e ao seu lugar nas narrativas históricas de Brasília. No entanto, os objetos em questão ainda carecem de criteriosos estudos arqueológicos que documentem seus vestígios físicos e as intervenções sofridas ao longo do tempo. A documentação arquitetônica destes imóveis é a etapa inicial de um inventário arqueológico, oferecendo subsídios para interpretações historiográfica bem como para a conservação física das edificações e das ruínas.

Este Plano de Trabalho visa a suprir a lacuna documental sobre algumas casas rurais do século XIX em fazendas e quilombos no Distrito Federal e entorno por meio do levantamento detalhado de suas dimensões físicas, sistemas construtivos, detalhes, patologias e estado de conservação, bem como da documentação arquivística existente — escrita, oral e iconográfica. A documentação será consolidada segundo o paradigma do Historic Building Information Modeling (HBIM) e dela será derivada uma interpretação preliminar quanto às relações das casas estudadas entre si e com o território rural. O escopo de casas incluídas no levantamento será determinado em consulta com a Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal, o Arquivo Público do Distrito Federal, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, antes da submissão do Plano de Trabalho.

O objetivo geral deste Plano de Trabalho é, portanto, descrever preliminarmente a inserção das casas rurais escolhidas no território do planalto Central e na história de sua ocupação luso-brasileira, apontando ainda semelhanças e diferenças entre elas quanto à composição arquitetônica, aos sistemas construtivos, e ao estado de conservação. Para tanto, derivam-se os seguintes objetivos específicos:

  • Realizar o levantamento arquitetônico de cada edificação ou conjunto edilício, reportando os dados coletados num sistema HBIM semântico;
  • Situar os sistemas construtivos analisados no âmbito da história da construção luso-brasileira;
  • Interpretar a inserção das casas na rede territorial do planalto Central, compreendendo seu sistema histórico de propriedade fundiária, os caminhos tradicionais e a relação com a topografia.

Casa de cultura de Luziânia

Este plano de trabalho consiste num estudo morfológico e histórico aprofundado da atual Casa de cultura de Luziânia, uma morada urbana do século XVIII situada à rua do Rosário.

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